'Não foi destino, foi violência': indígenas lamentam morte de jovem liderança em Roraima
19/02/2026
(Foto: Reprodução) Indígenas lamentam morte de jovem liderança em Roraima
"Não foi uma morte natural, não foi por acidente, não foi destino, foi violência". É o que afirma o vice-tuxaua geral do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Paulo Justino, uma das lideranças presentes na mobilização indígena que cobra justiça pela morte do jovem líder Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos.
O ato reuniu cerca de 500 indígenas na RR-203, no município de Amajari, ao Norte de Roraima, nessa quarta-feira (18). Gabriel era do povo Wapichana e foi encontrado morto após 10 dias desaparecido.
Com o lema “Quem matou Gabriel?” o ato reuniu representantes das regiões Surumu, Alto Cauamé, Baixo Cotingo, Raposa, Serras, Amajari, Serra da Lua, Tabaio e Murupu. A Polícia Civil informou que a morte do jovem é tratada como homicídio e que o caso é prioridade "01".
👉 Gabriel era uma liderança na Terra Indígena Araçá, em Amajari. Ele foi encontrado morto no dia 10 de fevereiro. O corpo estava em avançado estado de decomposição e foi identificado por meio arcada dentária.
"Foi violência contra o nosso povo. Foi um assassinato. A gente está aqui para que esse caso não vá para o baú do esquecimento, como tantos outros”, afirmou o vice-tuxaua.
LEIA TAMBÉM:
'Jovem guerreiro' e defensor de territórios: quem era líder indígena encontrado morto
Celular e moto de jovem líder indígena são encontrados na região onde corpo foi achado
Mobilização entra no 2º dia e cobra justiça por líder indígena morto: 'Quem matou Gabriel?'
Polícia trata morte de jovem líder indígena como homicídio e diz que caso é prioridade
'Um ato de violência'
Paulo Justino, vice-tuxaua geral do Conselho Indígena de Roraima (CIR)
Caíque Rodrigues/g1 RR
Durante o ato, Paulo Justino, do povo Macuxi, amigo de Gabriel, afirmou que o líder era uma "liderança da juventude que não tinha medo de se posicionar". Ele acredita que "Gabriel foi morto pelo forte posicionamento nas causas indígenas".
“Foi essa coragem que causou a violência que ele sofreu. O Gabriel denunciava invasões, presença de garimpeiros, de fazendeiros. Isso tem um preço alto para as lideranças”, disse.
Paulo afirmou ainda que mobilização é um grito coletivo contra a repetição de casos semelhantes. Ele também cobrou ações do poder público para proteger lideranças indígenas no estado.
"Nossas terras estão sendo invadidas por garimpo e organizações criminosas, e o poder público não faz o que é preciso para proteger as lideranças. O que aconteceu com Gabriel poderia acontecer com qualquer um. Isso precisa acender um alerta".
Gabriel foi sepultado no último sábado (14), em Boa Vista, segundo o CIR, que acompanha o caso e cobra investigação rigorosa.
Caíque Rodrigues/g1 RR
‘Gabriel nunca esteve sozinho’
Entre os manifestantes estava a adolescente Julha Wapichana, de 16 anos, liderança da juventude indígena na região do Amajari. Ela avalia que a mobilização é uma forma de mostrar que Gabriel representava muito mais do que uma comunidade.
"É muito revoltante a gente não saber o que aconteceu com ele. O Gabriel era uma liderança da juventude de Roraima, do Brasil e até em nível internacional. Ele representava muitos povos, principalmente a juventude. Por isso, a gente está aqui pedindo justiça de verdade”, afirmou.
Julha destacou que o ato fortalece o movimento indígena e o sentimento coletivo de pertencimento.
Julha Wapichana,16 anos, liderança indígena da juventude na região do Amajari
Caíque Rodrigues/g1 RR
“Ver todo mundo reunido fortalece o nosso espírito. Mostra que o Gabriel nunca esteve sozinho. Ele tinha o povo com ele. Era uma liderança forte, resistente, que sempre ecoou a voz da juventude indígena”, disse.
A adolescente destacou que falta de respostas sobre a morte aumenta a dor e a indignação. Ela participou do ato acompanhada dos pais e de moradores da comunidade onde vive.
“Perder alguém assim, sem nem saber o que aconteceu, é muito revoltante. A demora para ter uma resposta só aumenta isso. Por isso a gente está aqui: ninguém solta a mão de ninguém".
'Sentimento de revolta'
Alencar Gomes Mendes, lidernaça indígena e um dos coordenadores do movimento que cobra investigação pela morte de Gabriel
Caíque Rodrigues/g1 RR
Segundo o coordenador da região da Raposa, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, e uma das lideranças do movimento, Alencar Gomes Mendes, o clima entre os povos indígenas é de indignação e tristeza diante da falta de respostas sobre o caso.
"É um sentimento de revolta e também de tristeza, porque a gente não sabe realmente o que aconteceu com o Gabriel. O que nós queremos é justiça, o mais rápido possível. Enquanto isso não se resolver, nós não vamos desistir", afirmou.
Alencar explicou que as lideranças acreditam que Gabriel foi assassinado por causa da luta que ele travava em defesa dos povos indígenas e do território.
"A gente acredita que ele foi assassinado por causa da luta dele. O Gabriel sempre trabalhou na defesa do seu povo e do território. Isso incomodava muita gente, e por isso queremos que a Justiça brasileira dê uma resposta rápida sobre o que aconteceu", destacou.
A liderança destacou ainda que Gabriel era um jovem atuante e reconhecido dentro do movimento indígena:
"Ele sempre esteve na linha de frente, participando das mobilizações, trabalhando pelo bem-estar do povo. Trabalhei com ele por três, quatro anos. Era uma ótima pessoa, nunca ouvi ninguém falar algo negativo sobre ele".
Desaparecimento
Cocar usado por Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos, líder indígena encontrado morto em Roraima
Caíque Rodrigues/g1 RR
A família relatou ao g1 que Gabriel saiu de casa, na comunidade Novo Paraíso, no dia 31 de janeiro, para participar de um evento na comunidade Juracy. Ele foi visto entre 6h e 7h da manhã do dia 1º, no barracão da festa. Desde então, não retornou para casa nem manteve contato com familiares ou amigos.
Moradores disseram à família que Gabriel foi visto seguindo em direção a uma fazenda próxima.
No dia 10, ele foi encontrado morto na RR-203, no município do Amajari. A moto e o celular dele foram encontrados a cerca de 300 metros de distância de onde o corpo foi achado. Desde o início do caso, o CIR tem cobrado por investigação.
"O CIR seguirá vigilante em todas as etapas da apuração e reafirma sua expectativa de investigação rigorosa, imparcial e célere, com a devida responsabilização dos envolvidos, em compromisso inegociável com a verdade, a justiça e a proteção das lideranças e comunidades indígenas", divulgou a organização, em nota.
"Jovem guerreiro" e "uma perda irreparável", foi assim que o CIR descreveu Gabriel. Ele era uma figura central do movimento indígena da região de Amajari.
Na trajetória de defesa dos direitos dos povos originários, Gabriel ocupou diversas frentes. Uma delas foi como coordenador regional da juventude de Amajari e outra como comunicador da Rede Wakywaa de comunicadores indígenas.
Atualmente, exercia a função de secretário regional e articulava ações junto às lideranças e diversas comunidades da região. Em nota de pesar, o CIR destacou o compromisso do jovem com a "luta coletiva".
Veja fotos do ato na RR-203, em Amajari:
A família relatou ao g1 que Gabriel saiu de casa, na comunidade Novo Paraíso, no dia 31 de janeiro, para participar de um evento na comunidade Juracy.
Caíque Rodrigues/g1 RR
Protesto por Gabriel Ferreira Rodrigues em rodovia de Roraima
Caíque Rodrigues/g1 RR
Indígenas acreditam que Gabriel foi assassinado e que o crime pode ter relação com a atuação dele na defesa dos direitos indígenas
Caíque Rodrigues/g1 RR
Olá , seu pedido foi enviado com sucesso, obrigado!
Top 5
1. Raridade
Anderson Freire
2. Advogado Fiel
Bruna Karla
3. Casa do pai
Aline Barros
4. Acalma o meu coração
Anderson Freire
5. Ressuscita-me
Aline Barros
Anunciantes
Anúncio 05
Anúncio 04
Anúncio 03
Anúncio 02
Banner 01
l
l
j
l
l
l
l
l
l
l
l
l
l
A Dra Ana Rita Rosa é Cirurgiã-Dentista e atende na Clínica Sorriso e Bem Estar, próximo a prefeitura. De segunda a sexta-feira das 8 às 11:30 e das 13:30 às 18 horas. A Dra Ana Rita é especialista em várias áreas da odontologia,agende sua consulta para uma avaliação.
l
l
j
j
j
A Dra Ana Rita Rosa é Cirurgiã-Dentista e atende na Clínica Sorriso e Bem Estar, próximo a prefeitura. De segunda a sexta-feira das 8 às 11:30 e das 13:30 às 18 horas. A Dra Ana Rita é especialista em várias áreas da odontologia,agende sua consulta para uma